quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Rua América, atual Trajano Reis, em 1911. Vista em direção ao Cemitério São Francisco de Paula, tomada a partir da rua 13 de Maio. Foto: autor desconhecido. Acervo: Cid Destefani. Gazeta do Povo, Coluna Nostalgia (02/12/1990)





Gazeta do Povo, Coluna Nostalgia - 02/12/1990 - América, atual Trajano Reis, a rua da última viagem

"Em princípio, um caminho lamacento que ligava a antiga Igreja do Rosário ao Cemitério Municipal, Campo Santo mandado construir pelo conselheiro Zacarias de Góis e Vasconcelos na chácara que pertencera ao padre Agostinho Machado Lima. Sua primeira denominação popular foi Rua do Cemitério. Posteriormente foi batizada de Rua América, e com este nome participou por vários anos da vida da cidade.

A velha Rua América possuía já neste século, um comércio de importância. Como não poderia deixar de ser por sua ligação com o cemitério funcionou ali a funerária de Pedro Falce e ainda funciona a da família Stephan. Ficaram na lembrança de antigos moradores os açougues de Carlos Zikur e o de João Malecki, os armazéns de secos e molhados d Gino Zanier e o de João Lepinski, além da alfaiataria de João Faucz, que fazia questão de frisar sua origem polaca. Aliás este senhor João Faucz foi proprietário do primeiro restaurante polaco de Curitiba instalado na Rua São Francisco.

Escrever sobre a Rua América, antiga, de forma alguma ficaria completo o texto e nele não citássemos a velha Igreja Luterana a primeira construída toda em enxaimel dano lugar a que existe hoje e que foi inaugurada no início da década de 1890.










Google Street, 2014


A última ligação que existe com o antigo nome da rua é a Padaria América, instalada a princípio na esquina da rua Paula Gomes por Eduardo Engelhardt em 1914. Foi transferida para a casa e Pedro Falce, quando em 1928, Eduardo adquiriu a propriedade na esquina da então Rua do Serrito, hoje Carlos Cavalcanti. A Padaria América é o único elo que nos liga aos sabores da Curitiba de Antanho com seus pães e broas, doces cuques, craquenéis e bolachas de mel e outras tantas guloseimas todas feitas pelo próprio dono atual Ewaldo Engelhardt.

Em 12 de agosto de 1918 faleceu em Curitiba o humanitário médico Dr. Trajano Joaquim dos Reis. Em sua homenagem a rua foi rebatizada como Trajano Reis. A fotografia que ilustra Nostalgia de hoje foi feita por fotógrafo desconhecido em 1911 e nos mostra a rua vista da esquina da 13 de Maio em direção ao cemitério

Por esta rua da última viagem passou grande arte dos funerais realizados em Curitiba. Do mais simples "enterro de 3ª" até os pomposos com acompanhamento melancólico da banda da Força Pública. Todos eles com destino certo: a antiga chácara do Padre Agostinho".

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