terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Correios, Rua Presidente Faria Data: 19/07/1940. Foto: Domingos Foggiatto. Acervo: Cid Destefani. Gazeta do Povo, Coluna Nostalgia (12/05/1991)





"No começo do século a rua presidente Faria se chamava rua Garibaldi, e a atual praça Garibaldi era o Largo Dr. Faria. Houve, portanto, uma permuta. É possível ver as pilastras do muro que cercava o prédio da UFPR. Ao fundo o prédio dos Correios e Telégrafos, construído em 1935 no terreno onde antes funcionara a segunda sede do Tiro Rio Branco".



*****











Inauguração do prédio em 1935 (Gazeta do Povo, 31/08/2014)


"Durante o Estado Novo, conceitos como funcionalidade, eficiência e economia foram aplicados na arquitetura de obras públicas de todo o país. Linhas geometrizantes passaram a caracterizar os edifícios escolares da época e um projeto nacional de padronização arquitetônica foi posto em prática nos prédios que compunham o então Departamento de 
Correios e Telégrafos. 














Fonte da Imagem 

 
Curitiba teve construída sua sede dos Correios, em 1934, dentro das concepções propostas por arquitetos cariocas, contratados para idealizarem os projetos. Em  suas criações, os prédios se concentravam estrategicamente nas esquinas e se caracterizavam  por acessos independentes entre si, segundo uma hierarquia funcional. 

















 
Planta baixa do pavimento Térreo


Amplos salões de atendimento ao público, executados com grandes vãos e despidos de ornamentos, localizavam-se no interior da obra".


Bahls, Aparecida Vaz da Silva. A busca de valores identitários: a memória histórica paranaense. Tese de doutorado em História pela UFPR. Curitiba, 2007 

Citando 

SEGAWA, Hugo. Arquiteturas no Brasil, 1900-1990. 2. ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1999, p. 66-71



Vista noturna

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Rua São Francisco, a antiga Rua do Fogo. Data: 1923. Foto: autor desconhecido. Acervo: Cid Destefani. Gazeta do Povo, Coluna Nostalgia (17/05/1992)





Rua São Francisco, a antiga Rua do Fogo. Data: 1923. Gazeta do Povo, Coluna Nostalgia (Cid Destefani, 17/05/1992)

"A Rua do Fogo não nominava toda a extensão da atual São Francisco, pois esta, em outros trechos, possuía outros nomes como Rua do Hospício e Rua do Terço. Por Rua do Fogo era denominada a parte que hoje vai da Presidente Faria até a Barão do Serro Azul. Somente em novembro de 1867 ela passou a ser chamada de Rua São Francisco.

Na foto, é possível observar à direita o prédio da Delegacia Fiscal. Neste local funcionou durante o século XIX a primeira sede do Clube Coritibano. O prédio foi demolido no início da década de 40 para dar lugar ao alargamento da Barão do Serro Azul.

Vindo lá de baixo, passamos pelo consultório dentário de Eduardo P. Reginato seguido da alfaiataria de Hugo Momoli, do escritório de representações de Pedro Kneib e a casa onde residia o italiano Domingos Fucci, excelente artista de teatro amador. O Hotel Palácio Riachuelo ficava na esquina desta rua. Continuando, passamos pela fábrica de chapéus para senhoras de Santo Gussi, tendo em frente a tinturaria São Francisco. O consultório do odontólogo Ewaldo Schiebler professor da UFPR e excelente fotografo amador. O Salão São Francisco e a floricultura A Orquídea. A Casa de Saúde São Francisco dirigida pelo famoso médico Dr. Jorge Meyer, o doutor 'Maia'. 

Em frente ficava a Foto progresso de Augusto Weiss, um dos pioneiros da arte em Curitiba. No outro lado, no mesmo endereço, funcionavam a fábrica de carimbos e gravações de medalhas de Frederico Tod e a vidraçaria dos irmãos Castro. A papelaria e livraria de Max Roesner, em frente as conjugadas Flora Crisântemo e Funerária São Francisco. A loja de materiais elétricos e utilidades de Botelho de Souza, a casa de sabão e cera de assoalho pertencente a Mariano Campos Hidalgo, a Relojoaria Suiça, ao lado da Litografia Progresso de Rômulo César Alves, que fazia rótulos para barricas de erva-mate, cartazes e reclames em qualquer dimensão. O atacadista Guisardo Pilati, Mansur N. Mansur, a papelaria de João Haupt e finalmente a Farmácia Moderna".

Esquina entre a Marechal Deodoro (com seu alinhamento original) e a Rua Barão do Rio Branco. Data: início dos anos 60. Acervo: Cid Destefani. Foto: autor desconhecido. Gazeta do Povo, Coluna Nostalgia (17/05/1998)



O leito da rua ainda era de paralelepípedos e as calçadas de lajotas de cimento. O alargamento atingiu a face esquerda da rua, numa faixa de largura equivalente a do estacionamento mostrado na foto.

Vista Panorâmica Aérea do Batel em direção aos bairros Rebouças e Prado Velho. Data: 14/09/1933. Foto: autor desconhecido. Acervo: Cid Destefani. Gazeta do Povo, Coluna Nostalgia (03/11/1996)


  Gazeta do Povo, Coluna Nostalgia (Cid Destefani, 03/11/1996)

"Em primeiro plano a foto mostra a antiga sede do Museu Paranaense, entre as ruas Benjamim Lins e Buenos Aires, tendo ao fundo o quartel do 9º. Regimento de Cavalaria Montada (posteriormente conhecido como Quartel do CPOR). A Praça Oswaldo Cruz ainda era um descampado onde os soldados se exercitavam e faziam manobras militares. Segundo Cid, "a Avenida Visconde de Guarapuava terminava na Rua Buenos Aires, assim como a Sete de Setembro, que, a partir dali era um mero caminho no campo. As habitações eram esparsas e a maioria era cercada por grandes terrenos".

Rua América, atual Trajano Reis, em 1911. Vista em direção ao Cemitério São Francisco de Paula, tomada a partir da rua 13 de Maio. Foto: autor desconhecido. Acervo: Cid Destefani. Gazeta do Povo, Coluna Nostalgia (02/12/1990)





Gazeta do Povo, Coluna Nostalgia - 02/12/1990 - América, atual Trajano Reis, a rua da última viagem

"Em princípio, um caminho lamacento que ligava a antiga Igreja do Rosário ao Cemitério Municipal, Campo Santo mandado construir pelo conselheiro Zacarias de Góis e Vasconcelos na chácara que pertencera ao padre Agostinho Machado Lima. Sua primeira denominação popular foi Rua do Cemitério. Posteriormente foi batizada de Rua América, e com este nome participou por vários anos da vida da cidade.

A velha Rua América possuía já neste século, um comércio de importância. Como não poderia deixar de ser por sua ligação com o cemitério funcionou ali a funerária de Pedro Falce e ainda funciona a da família Stephan. Ficaram na lembrança de antigos moradores os açougues de Carlos Zikur e o de João Malecki, os armazéns de secos e molhados d Gino Zanier e o de João Lepinski, além da alfaiataria de João Faucz, que fazia questão de frisar sua origem polaca. Aliás este senhor João Faucz foi proprietário do primeiro restaurante polaco de Curitiba instalado na Rua São Francisco.

Escrever sobre a Rua América, antiga, de forma alguma ficaria completo o texto e nele não citássemos a velha Igreja Luterana a primeira construída toda em enxaimel dano lugar a que existe hoje e que foi inaugurada no início da década de 1890.










Google Street, 2014


A última ligação que existe com o antigo nome da rua é a Padaria América, instalada a princípio na esquina da rua Paula Gomes por Eduardo Engelhardt em 1914. Foi transferida para a casa e Pedro Falce, quando em 1928, Eduardo adquiriu a propriedade na esquina da então Rua do Serrito, hoje Carlos Cavalcanti. A Padaria América é o único elo que nos liga aos sabores da Curitiba de Antanho com seus pães e broas, doces cuques, craquenéis e bolachas de mel e outras tantas guloseimas todas feitas pelo próprio dono atual Ewaldo Engelhardt.

Em 12 de agosto de 1918 faleceu em Curitiba o humanitário médico Dr. Trajano Joaquim dos Reis. Em sua homenagem a rua foi rebatizada como Trajano Reis. A fotografia que ilustra Nostalgia de hoje foi feita por fotógrafo desconhecido em 1911 e nos mostra a rua vista da esquina da 13 de Maio em direção ao cemitério

Por esta rua da última viagem passou grande arte dos funerais realizados em Curitiba. Do mais simples "enterro de 3ª" até os pomposos com acompanhamento melancólico da banda da Força Pública. Todos eles com destino certo: a antiga chácara do Padre Agostinho".